Neste último ano estive duas vezes no Peru. Fiquei impressionado na diversidade e riqueza do país andino. Sempre tive muita vontade de conhecer, experimentar a culinária peruana, ir a Machu Pichu, Lago Titicaca, etc… Estas coisas que turistas gostam de fazer. Porém, descobri muito mais coisas que isso. O Peru está em transformação. Não é a toa que o mundo cada vez mais procura referencias deste belo país andino.

Após o fim dos conflitos provocados pelas guerrilhas internas e o fortalecimento de suas instituições, o Peru vem crescendo mais que todos na América Latina. Em 2007 a taxa de crescimento foi de 8,9%. Em 2008, 9,8%. Este número não ultrapassou os dois dígitos somente em consequência da crise mundial. Na verdade, o crescimento é continuo nos últimos nove anos e a estimativa para este ano é de 5%, o que ocorrendo, fará do país a maior taxa de crescimento do mundo.
Um dos setores que mais demonstram força na economia peruana é o turismo. Em 1990 aproximadamente 300 mil pessoas visitaram o Peru. Em 2008 este número esteve próximo dos 2,0 milhões de pessoas. Igualmente está aumentando a participação do setor no PIB peruano. Em 2000 era 3,9% do Produto Interno Peruano, sendo que em 2008 este número passou para 4,5%. No ano passado o turismo internacional deixou no país 2,4 bilhões de dólares e o número de empregos diretos e indiretos no setor chega a quase 1 milhão de postos. Isto significa que 1 a cada 15 pessoas trabalham no setor.
Mas o que mais chama atenção neste “novo” Peru é o enriquecimento do setor de gastronomia. Se antes o Peru praticava a clássica cozinha francesa, hoje existe uma busca incessante pelos produtos locais. E estes são muitos. Se olharmos uma mesa típica peruana provavelmente só reconheceremos 50% dos ingredientes. Difícil de imaginar tamanha diferença para um país limítrofe, mas é isso que ocorre. A complexidade do território peruano é uma das explicações, pois das 104 zonas biológicas que há no mundo, o Peru reúne em seu território 80 delas. Dos 120 climas existentes no mundo 85 são encontrados no Peru. Somam-se a isso as fortes influencias dos povos indígenas, africanos, europeus e asiáticos.
Andinos, Espanhóis e Africanos criaram a cozinha criolla do norte e do sul; Chineses e Peruanos inventaram a cozinha chifa; Peruanos e Japoneses a cozinha Nikkei; Os pescadores, as cevicherias; Além disso, a cozinha da selva e do centro, a cozinha das ruas, a caseira e as novas gerações, a cozinha novo andina ou a cozinha de autor.
A conceituada Escola de Gastronomia Cordon Bleu escolheu Lima como local na América Latina para abertura de uma filial. A quantidade de bons restaurantes em Lima e nas principais cidades peruanas chama muita atenção.
Além disso, atualmente a cozinha peruana está sendo vista como uma das mais fortes referencias da gastronomia mundial. Restaurantes peruanos estão se espalhando por todas as partes. Em Buenos Aires, Os Restaurantes Sipan e Osaka são os points da atualidade. Filiais do conceituado Astrid e Gáston proliferam pela América Latina. A quinua até pouco tempo desconhecida está sendo chamada de proteína do século 21. O ceviche pode ser encontrado em diversos restaurantes brasileiros. E por aí vai… Neste e em mais alguns posts pretendo dar uma viajada por este interessantíssimo país que sempre que tiver oportunidade voltarei a visitá-lo.

Rocoto, Ají, Papa Amarilla, Frutas, Choclo, Quinua, Pallas e Pescados do Pacífico